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A importância do pré-escolar

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A importância do pré-escolar
 
Por Bárbara Wong*

Quem não inveja, nem que seja só um bocadinho, as glamorosas donas-de-casa norte-americanas, que tomam conta dos seus filhos desde que nascem, ponha o dedo no ar. Não vejo um único dedo no ar! Elas existem, não é só nos filmes mas na vida real. São mulheres que estudaram, completaram o ensino superior mas os ordenados dos maridos permitem-lhes ficar em casa, ser mães a tempo inteiro e cozinheiras fabulosas, que fazem bolos com vários andares e cheios de cores (estou a exagerar).


A verdade é que elas ficam com os miúdos em casa até aos seis anos, idade com que entram para a escola. O pré-escolar existe nos EUA mas ou é para as crianças oriundas de famílias que podem pagar centenas de dólares mensalmente para estarem no jardim-de-infância ou para os mais desfavorecidos, aqueles para quem o inglês não é a língua materna, para os filhos de mães trabalhadoras, ou seja, para as crianças para quem o pré-escolar foi pensado como uma maneira de esbater as desigualdades à entrada do 1.º ciclo.


No primeiro dia de aulas, numa turma de 1.º ano, a professora chama o aluno pelo nome e ele não responde, a professora insiste até que o miúdo se apercebe e responde-lhe: “Eu não me chamo John, o meu nome é Mad Man (uma alcunha)”. Há crianças que chegam ao primeiro ciclo sem saber o seu nome próprio, afirma Sambie Shivers-Barclay, do departamento de Educação de Washington, DC, depois de contar a história e continua: “Há crianças que entram na escola e não sabem o nome, não sabem os números nem o alfabeto, não sabem sentar-se a uma secretária porque a única coisa que fizeram até então foi estar sentadas frente à televisão”, reforça.


O pré-escolar não é obrigatório nos EUA e por isso a aposta tem sido muito pouca neste nível de ensino. Por isso, existem milhares de jardins-de-infância com listas de espera, onde as direcções podem escolher os alunos e onde os pais que podem prometem mundos e fundos para que os filhos ingressem; mas também existem os que têm listas de espera para receber os mais pobres, os que têm necessidades educativas especiais, os que não sabem inglês.


A administração Obama tem dado particular importância ao pré-escolar como um meio para combater as desigualdades e de promover o futuro sucesso escolar. No final do ano passado, o governo federal disponibilizou mil milhões de dólares para que os 50 estados desenvolvam programas de pré-escolar. Enquanto por cá ainda nos escandalizamos porque a oferta do pré-escolar não atingiu os 100 por cento; no estado de Oklahoma apenas 55 por cento das crianças de quatro anos frequentam, ao passo que no Nevada apenas um por cento o faz.


Mas, como dizia no princípio, muitas mães estão em casa e os condados oferecem outras alternativas como o “day center”, onde a criança pode passar duas ou três horas diárias ou estar algumas vezes por semana, a fazer actividades semelhantes às desenvolvidas no pré-escolar; ou programas onde mães e filhos podem participar em conjunto.


A aposta tem que ser num pré-escolar com qualidade, como dizia Claire Hamilton, professora da escola superior de educação da Universidade de Massachusetts, “o pré-escolar pode ser qualquer coisa mas é o que vai marcar os alunos para o resto da vida. É o que vai determinar o futuro da criança se esta começar a ouvir falar sobre a universidade quando ainda tem quatro anos”. Ou seja, quando os pais têm poucas ou nenhumas expectativas, o pré-escolar pode e deve – lá como cá – fazer a diferença na vida das crianças, desde a mais tenra idade.


*A jornalista viajou a convite do Departamento de Estado dos EUA e a viagem foi financiada pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento.

http://sociedadepediatrica.blogspot.com/

Tem o seu filho/a em casa? Concorda com o ensino pré escolar? Comente.


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