|
1. Porque têm cólicas os bebés? Não existe, por exemplo, uma causa exacta. As cólicas são atribuídas à associação de alguns factores, entre eles a imaturidade dos sistemas gastrointestinal e nervoso central, que, entre outras funções, controla as contracções do intestino. Como o processo de formação e funcionamento desses mecanismos ainda não está completo, ocorrem movimentos intestinais descoordenados que acabam por provocar as dores. Passados três meses, esses sistemas adquirem maturidade e as cólicas deixam de fazer parte da rotina familiar.
2. Como saber se o choro do bebé é mesmo devido a ter cólicas? Primeiro, por eliminação: o bebe estará com fome? A fralda estará molhada? Estará com calor? Com frio? Se essas possibilidades foram descartadas e o choro continua, é grande a probabilidade de ser uma cólica. Além disso, há algumas características específicas: o bebé contorce-se, o rosto fica vermelho e com expressão de dor, as mãos ficam cerradas e o choro estridente parece inconsolável. Em muitos casos, as crises costumam acontecer no mesmo horário - à tardinha (18-19h.) ou no início da noite.
3. Se o bebé é amamentado no peito, a alimentação da mãe pode fazer diferença na presença e na intensidade das cólicas? "Há pouca relação comprovada entre a cólica e a alimentação da mãe", afirmam vários Pediatras de todo o mundo. "O único alimento que aumenta as cólicas do bebé se for ingerido pela mãe é o leite de vaca, mas só se ela tiver alergia à proteína do leite de vaca ou intolerância à lactose." É possível que a mulher tenha esses problemas e não saiba, ou apenas descubra durante a amamentação, quando, em geral, por ordem médica, aumenta o consumo de leite e derivados.
4. Qual o motivo para apenas alguns bebés terem cólicas? Cada indivíduo é único no que diz respeito a factores genéticos e biológicos, o que explica parte da questão. A outra parte diz respeito ao ambiente. Embora não existam dados científicos sobre o assunto, os pediatras concordam que a atitude dos pais conta pontos. "A criança percebe tudo a sua volta, inclusive a tensão e a ansiedade dos pais", "A reacção a esses estímulos externos pode ser a cólica." O pediatra Ruy Pupo Filho, autor do Manual do Bebê (editora Campus Elsevier),diz “ a cólica é quase sempre uma característica do primeiro filho - o segundo costuma ter bem menos e o terceiro quase não tem”. Excesso de agitação, como o volume da TV alto ou brincadeiras prolongadas, também pode desencadear as cólicas. Respeitar ao ritmo e o sono do bebé é fundamental.
5. Quais as formas mais eficazes de combater essa dor? A primeira recomendação (por mais difícil que pareça ) é manter a calma. É preciso quebrar o círculo vicioso que se estabelece: a criança tem cólica, os pais ficam nervosos, o bebé sente mais dor, gera ansiedade crescente nos pais e assim sucessivamente. O Pediatra deverá conversar acerca deste “problema” explicando que não é uma doença mas algo fisiológico! Mas, e se mesmo assim a cólica existir, que medidas deverá tomar? Fazer massagens circulares na barriguinha e aquecê-la com uma bolsa térmica, flexionar e estender as perninhas, como se fosse andar de bicicleta, ajuda. O contacto pele com pele também tem efeito relaxante e calmante. A mãe ou o pai devem deixar o bebé só de fralda e colocá-lo em contacto com o corpo deles." Remédios, apenas com recomendação médica.
6. O Bebé que não arrota depois de mamar terá mais cólicas em seguida? Se o bebé engolir ar durante a mamada e não arrotar, pode haver formação de gases e, consequentemente, cólicas. Mas não significa que ele deva arrotar sempre que mama - não é regra que em toda mamada ele possa ter engolido ar, principalmente se a forma como mama for correcta, com a boca do bebé cobrindo a maior parte da aréola e o lábio inferior virado para baixo, formando um género de beicinho. Se estiver a amamentar com biberão mantenha o bico sempre cheio de leite.
7. Durante a crise das cólicas, algumas mães tentam amamentar para acalmar o bebé. É correcto dar de mamar nesse momento ? Sugar tem um efeito calmante e pode ajudar, sim. Mas, se ele mamou à muito pouco tempo, pode não ser uma alternativa adequada. Nessa situação, o seio não terá tanto leite e haverá um risco maior de a criança engolir ar, formando gases. Conseguindo-se, assim, o efeito contrário: aumentando bastante as cólicas.
|