O erro repete-se há anos e anos. Toda a gente se preocupa com o comportamento dos adolescentes, as drogas, o álcool, a violência, as gravidezes indesejadas, mas poucos ou nenhuns querem saber dos bebés e das crianças pequenas. E é fácil perceber porquê: os bebés não perturbam a ordem pública nem ameaçam a segurança dos cidadãos que pagam impostos, enquanto os «jovens» podem saltar-lhes ao caminho...
O que gente de mais parece esquecer é que o comportamento dos adolescentes, e dos adultos que vão ser, é uma consequência directa de como a sociedade os tratou, a eles e aos seus pais. Os pais de crianças com menos de dez anos em Portugal sofrem de exaustão, como o estudo que a Proteste agora publicou veio reforçar. E as crianças sofrem por terem pais à beira de um ataque de nervos.
Se mais de 70% dos pais portugueses se vêem obrigados a deixar os filhos na creche ou no jardim-de-infância pelo menos nove horas por dia, fazem-no, certamente, por não terem qualquer hipótese de gerir a vida de outra maneira.
Foi moda insistir que o que importa é o tempo de qualidade que os pais passam com os filhos. Ninguém tem dúvidas de que quantidade só por si não vale nada, nem é objectivo de ninguém aumentar a culpabilidade que sentem, mas como é que é possível dar genuína atenção a uma criança, quando as mães (porque continuam a ser sobretudo elas) têm um duplo emprego, o remunerado, e o da casa e dos filhos?
Todos nós sabemos que é tudo mais difícil quando as noites colam com os dias, semanas e meses a fio, quando as reservas de energia se gastam, sem uma oportunidade de as repor. Os pais precisam de mais apoio para poderem ser melhores pais. Só se formos loucos é que não os ajudamos a investir na geração de amanhã.
in Destak.pt
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